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  • Silvio Messias

No sonho, a brincadeira

A oportunidade de brincar traz em mim todas as possibilidades.



Brincar é liberdade, é poder errar. É treino pro futuro e por isto deixamos que na brincadeira tudo caiba. Tudo é permitido! Somos num mesmo dia, astronautas e médicos. Num mesmo dia viajamos de França à Marte. Não há limites, nem de tempo, nem de espaço, nem de nada!


Ainda assim, nos deixamos crescer. Adultos, já não podemos mais. Somos responsáveis e responsabilidades não dão margens a erros, brincadeiras, possibilidades, sonhos.


Camada a camada a realidade nos impõe.

Camada a camada a brincadeira fica séria.

Camada a camada os sonhos são soterrados.


Já não podemos nos equivocar. A nota dada ao aluno será baixa, o peso no currículo será alto.


“O erro é pra quem não estuda, não trabalha, não dá sangue e suor.”


E brincadeiras não são feitas de sangue e suor. Bem, talvez um pouco de suor. Mas, não o suor de mãos cansadas, da mente exausta. É suor de leveza, suor pra lavar alma.


Alma… Ah! Esta sim é uma possibilidade, traz em si universos, nela não há entendimento possível, não há formas de se comunicar, não sabemos nada de outras a não ser da nossa!


Dos outros, apenas vemos gestos. Gestos reais, sem possibilidade de sonhos, alma crescida.


“É preciso ser responsável, é preciso sangue e suor. Brincar não é preciso. Errar não é preciso. Sonhar não é preciso.”


Almas adultas vêem o tempo que vai se escasseando. Já não podemos porque a linha de chegada se aproxima.


“Não brinque porque o fim tá próximo. Não sonhe porque o tempo de sonhar acabou!”


Não sabem! Ah! Não sabem nada de minha alma!


Pra mim, alma adulta não existe. Alma adulta é uma cantilena que inventaram pra poder vender mais publicidade.


A alma, quando chega neste mundo, abriga o corpo da criança. Um corpo disposto a brincar e sonhar, porque não se importa. Porque está aprendendo a errar. E errar é possibilidade.


O tempo corre, e talvez a linha de chegada realmente se aproxima, talvez a linha de chegada seja outra partida, talvez eu não saiba nada e me deixo levar pelas histórias que por aí ouvi. Talvez!


Mas, como são histórias, como são “talvez”, por que acreditar? Quem disse isto, sabia da alma dos outros? Saber da alma dos outros não é possível!


Uma grande bobagem.


Alma… Ah! Esta sim é uma possibilidade de mundo. Não esquece disto, tá?


Teu corpo envelheceu, teus pensamentos foram com ele, camada a camada.


E a alma, encoberta por toda estas cracas e algas que envolveram nosso casco, deixa de navegar.


É preciso sempre arrancar este lixo para que possamos flutuar melhor.


É preciso dar oportunidades de nossas almas brincarem, terem liberdade. Afinal, ser astronautas e médicos, viajar de França a Marte, só depende de nós.


Das almas, só sei uma coisa. São crianças, querem brincar, e a oportunidade de brincar traz em mim todas as possibilidades.

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